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O DIA DO JULGAMENTO

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EDITORIAL

Queridos amigos e amigas

Neste ultimo final de semana assisti a um video marcante o Julgamento de NUREMBERG. E um filme quase documentario, com utilizacao dos dialogos e depoimentos reais da epoca, mostrando os bastidores deste historico processo, onde os crimes nazistas foram julgados.

Como todo bom filme, suscita reflexoes, conexoes e discussoes posteriores; meu foco tem sido como ocorrem hoje nas empresas as questoes hierarquicas da autoridade, da etica das acoes e do tratamento das pessoas. Tenho conviccao que nao tenho todas as respostas prontas, mas quero compartilhar com os leitores do Boog News minhas reflexoes ainda que parciais sobre o tema (seus E-mails com comentarios serao, como sempre, muito bem vindos)

Boa leitura

Um grande abraco a todos

Gustavo Boog

ARTIGO

O DIA DO JULGAMENTO

As empresas sao um grande palco onde ocorrem muitos processos, entre os quais os de desenvolvimento humano. Na busca de compreender e lidar com as brutais mudancas ocorrendo, cada vez mais a procura por significado e o sentido da espiritualidade no trabalho vao penetrando e se tornando cada vez mais explicitos nas organizacoes.

Sob a alegacao da globalizacao, da busca de sobrevivencia e crescimento no mercado, das praticas predatorias da concorrencia, da contencao dos custos, da necessidade de ampliacao e diversificacao de produtos e servicos, muitas medidas empresariais sao tomadas, sem que a dimensao etica e humana seja devidamente considerada. Nestas circunstancias, e comum o cliente, tao anunciado como sendo o foco mais importante, ser relegado a um segundo plano. As equipes internas da empresa sofrem pesadamente com uma carencia quase total de informacoes, com as incertezas sobre o dia de amanha, com o rompimento de contratos psicologicos, com a desmotivacao contagiante que derruba qualquer plano empresarial.

O interessante e que os tomadores de decisao focam o imediatismo do curto prazo, e logo a seguir comecam a padecer as consequencias dos atentados que realizaram contra seus clientes e pessoal. O exemplo da re-engenharia e otimo e mostra como uma abordagem impessoal acaba causando mais mal que bem as empresas, seus clientes e pessoal. No filme Julgamento de Nuremberg, um dos participantes do processo, aturdido com tanta maldade exposta, ao buscar as causas do mal constatou que uma das caracteristicas comuns entre os comandantes nazistas era a absoluta falta de empatia pelos seres humanos.

Creio que vivemos numa epoca onde somos todos responsaveis por tudo que fazemos ou deixamos de fazer. Ninguem e inocente. Ninguem pode alegar ignorancia. Li certa vez que nos temos que avaliar muito bem as coisas que acontecem conosco, pois nos daremos conta que de alguma forma temos algo a ver com o que esta ocorrendo: ou nos o criamos, ou nos o promovemos, ou, no melhor dos casos, nos permitimos que ocorram.

Um dos temas mais procurados na Boog & Associados tem sido workshops e palestras ligadas ao tema do livro Faca a Diferenca!. O conceito de poder pessoal tratado nestes encontros e ter nas maos as redeas da propria vida, e ter auto-estima elevada, e estar harmonizado e em equilibrio, e sair do papel de vitima, e aceitar as coisas como elas sao e entao agir em cima disto. Infelizmente se veem nas empresas muitas ocorrencias do papel de vitima, pessoas que nunca sao responsaveis por nada e que se colocam como simples cumpridores de ordens superiores. Enfim, o oposto da pessoa que diz: eu posso!

Uma postura das liderancas com mais equilibrio e sabedoria, com um alargamento de visao e do horizonte de tempo e muito mais conveniente e oferece um retorno mais adequado e duradouro. Os antigos habitantes da America do Norte, em suas decisoes de Conselho, avaliavam as consequencias de suas decisoes para as proximas sete geracoes. As posturas predadoras de curto prazo inevitavelmente trazem retaliacoes

Uma decisao pode ser avaliada eticamente se nos pudermos explicar para os nossos pais ou para os nossos filhos, numa linguagem simples e direta, os nossos atos e decisoes, sem nenhuma vergonha ou embaraco. Assim, eu proponho como perguntas de auto-avaliacao quando estivermos frente a uma decisao organizacional a ser tomada:

A missao, objetivos e formas de conduta de minha organizacao estao alinhadas com o bem comum? Consigo explicar isto sem qualquer embaraco?

A decisao e acao que estou considerando esta alinhada com a missao de minha organizacao, o bem comum?

A decisao e acao que estou considerando contribui para a agregar valor para os clientes, pessoal, acionistas e meio ambiente? Ela contribui para o clima de motivacao? Ela contribui para a inovacao e flexibilidade?

A decisao e acao que estou considerando e bem equilibrada do ponto de vista tecnico, humano e espiritual? Equilibra bem razao/ logica com emocao/ intuicao? Tem recursos para sua implantacao? O cronograma e adequado?

E adequado envolver outras pessoas nesta decisao, visando melhorar a qualidade da decisao e aumentar o comprometimento?

Estou pronto a comunicar esta decisao adequadamente a todos os envolvidos?

Eu estou pronto a assumir a responsabilidade integral por esta decisao e acao perante qualquer outra pessoa? Eu me sentirei orgulhoso ou envergonhado por esta decisao e acao?

Muitas destas perguntas podem parecer fora do usual dentro das empresas; contudo, creio que a tao sonhada qualidade de vida comeca com responder conscientemente a estas perguntas. Quero encerrar dizendo que tambem ouvi ha muito tempo que para o mal se instalar basta as pessoas de bem ficarem quietas e omissas. As decisoes sempre sao nossas.



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