COMO SABER A HORA DE PARAR

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COMO SABER A HORA DE PARAR

Bel Cesar (*)

Quando um problema passa a ocupar a maior parte de nossa mente e hora de nos distanciarmos dele. A distancia fisica ou mental daquilo que nos preocupa pode nos ajudar a recuperar o espaco interno perdido.

Nao podemos parar o mundo, mas podemos parar a nos mesmos. Parar nao e perda de tempo. Pode parecer paradoxal, mas a finalidade ultima de parar e a de gerar forcas para seguir em frente.

Os mestres budistas nos ensinam: So enfrente um inimigo quando voce estiver mais forte que ele. Ate la, continue se fortalecendo.

Quando estamos envolvidos demais pela sensacao de ter um problema, nos sentimos sem saida. No entanto, ao nos predispormos a ver o problema, ao inves de te-lo, conquistamos naturalmente uma atitude interna de nos distanciarmos dele o suficiente para ve-lo melhor.

Guelek Rimpoche nos alerta: O primeiro passo para sair de um problema e criar uma forte determinacao de ficar livre dele. Essa determinacao deve ser feita mesmo quando ainda se esta preso ao problema.

Para sair do sofrimento, precisamos antes de tudo aceitar a situacao em que nos encontramos e entao reconhecer, no poder da determinacao, a saida por onde queremos ir. Apesar de intelectualmente sabermos que sempre ha uma saida, a maior parte da vezes estamos tao convencidos de sermos vitima de nossa propria dor que resistimos a ideia de algo possa ser mudado. Quando nossas conviccoes do que sentimos como verdadeiro se tornam rigidas, precisamos recuperar uma certa flexibilidade. Somente mudamos uma atitude interna, quando nos estamos convencidos emocionalmente da real necessidade de mudar.

Pema Chodron no seu livro Os lugares que nos assustam (Ed. Sextante) escreve: Se percebermos que estamos sendo tomados por uma justa indignacao, este e um sinal claro de que ja fomos longe demais e que nossa capacidade de causar alguma mudanca estara comprometida. Crencas e ideais se tornaram somente uma outra maneira de erigir muralhas. Por exemplo, quando nos sentimos ressentidos, nos tornamos reativos: surge em nos o impulso de agredir quem nos magoou e nossa energia automaticamente se esvai.

Se reconhecemos a natureza reativa de nossa mente, poderemos nos dar conta do quanto nos abandonamos neste momento. Deixamos de ser donos de nos mesmos quando nos tornamos presos a necessidade de prestar contas com alguem que nos magoou. Nao percebemos quanto poder estamos transferindo para uma pessoa quando pensamos: Enquanto eu nao tirar isso a limpo com ele, nao sossegarei. Agindo assim, ficamos presos a capacidade de entendimento com o outro para recuperarmos nossa calma. So quando nos apropriarmos de nos mesmos, recuperaremos nossa capacidade de observar uma emocao negativa.

Se quisermos ter paz interior, precisaremos considerar e respeitar o espaco interno de nossa mente como algo muito precioso. Algo tao precioso que queiramos preservar acima de tudo.

Todos os metodos de purificacao da mente visam o mesmo objetivo: separarmo-nos da energia impura. A paz interna e a habilidade de manter a energia da mente sempre como um espaco limpo, leve e pleno de energia positiva.

(*) Bel Cesar e terapeuta e dedica-se ao atendimento de pacientes que enfrentam o processo da morte. Autora dos livros Viagem Interior ao Tibete e Morrer nao se improvisa.
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